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Literature, Relationships, Short Stories

MAPUTO SELVAGEM

“Aquele não me comia bem!”

Ela diz isto olhando para mim – eu descamisado -, no meu Canil. Como um verdadeiro macho moçambicano que sou, coloco as mãos atrás da cabeça e encosto minhas costas à cadeira, para ficar confortável, ao mesmo tempo lançando-lhe um olhar sedutor em forma de convite para que ela continue a falar do ex-namorado.

“Não sou mulher de ficar numa relação em que não sou bem comida”, a tipa sentencia.

E aqui está ela, no quarto. A entregar-se a mim. Eu, um verdadeiro artista da cama, pego nela, coloco-a de quatro sobre a esteira, faço um cunnilingus e um rim job nos seus orifícios inferiores. Viro-a, deixando que fique de costas e continuo o trabalho. Ela começa a gemer, virando a cabeça de um lado para o outro, contorcendo-se. De seguida, me interrompe, empurrando-me. Com uma voz trémula, quase inaudível, me diz:
“Atingi o orgasmo…”

Eu paro o meu trabalho. Levanto-me da esteira e sento-me, de novo, na cadeira. Pernas esticadas, braços cruzados. Ela continua deitada, sem forças. Lanço-lhe o meu olhar fulminante; aquele olhar triunfante de quem fez um bom trabalho; o olhar que diz: “Eu vou matar-te de prazer, miúda!”
Depois de acompanhar a mulher para a paragem, volto para casa e entro no Facebook. Vou para o perfil do ex-namorado dela – ele é meu amigo aqui no Facebook. Abro a foto de perfil do jovem e coloco um “like”/”gosto” na mesma.

Colocar um “like”/”gosto” na foto do homem a quem a dama abandonou, para ficar connosco, quando ele ainda queria ficar com ela, é a forma suprema de lhe menosprezar. De lhe reduzir à insignificância. É um “like”/”gosto” de misericórdia. É um meio subtil de lhe dizer “Obrigado por teres feito um mau trabalho nesta mulher, porque, assim, criaste uma oportunidade para eu a trabalhar como deve ser”.

Ele não sabe que eu estou a comer a ex-dama dele, mas eu o sei. É divertido quando é assim: quando o tipo não sabe que outro homem está a comer a ex-dama dele enquanto ele se esforça escrevendo declarações de amor nos murais para a reconquistar.

Mamparra! Vacilou? Comeu mal a dama? Agora aguenta ser feito de palhaço! E eu vou me divertindo colocando “like”/”gosto” nas fotos de perfil dele.

Passam dois meses, eu envio mensagem para a jovem para vir ao meu Canil, para mais uma sessão de sexo selvagem. Ela me diz que não poderá vir pois estará ocupada. Perante esta falta de profissionalismo, eu decido acabar o nosso contrato sexual e digo a ela para não mais vir à minha casa.

Ela responde:
“Nunca gostei de fazer sexo contigo!”
Eu: “Heh…”
Ela: “Nunca me deste prazer!”
Eu: “Epah…”
Ela: “Não sabes foder!”
Eu: “Yuuu…”
Ela: “Não virei ter a ti porque vou para casa do meu novo namorado, com quem estou há 3 meses. Passar bem.”
Eu: “Han…?”

Esta me disse que não tinha namorado. Que estava a dar um tempo a essa coisa de namoro. E que eu era o único gajo que lhe comia.

Mais preocupante ainda: que estória é essa de eu não saber foder?!? Este tempo todo em que veio à minha casa para fazermos sexo o quê significou?!

E, neste momento em que coloco minha nova foto de perfil aqui, desconfio que o gajo que lhe come agora há-de vir colocar um “like”/”gosto” na minha foto – após ela ter dito a ele que me chutou por eu não ser bom de cama.
Não acredita nessa vaca, brada. O que fez comigo vai fazer contigo. Não coloca “like”/”gosto” na minha foto. Onde está a solidariedade entre os homens?

E aqui sentado, pensando de mim para mim, começo a achar que talvez o ex-namorado da jovem não era mau de cama. E talvez foi ele quem terminou a relação, por não aguentar a ‘vaquice’ dela.
Maputo está selvagem…

-Niosta Cossa

Image: Pixabay

 
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